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in_box nº 5 - 1º de julho de 2018

Olá,

Amanhã acontece o Desfile do 2 de Julho, que celebra a Independência do Brasil na Bahia, uma das nossas mais belas manifestações culturais de rua e, por tabela, um importante termômetro político corpo-a-corpo. Este ano, no entanto, a data pode não servir muito bem para esta segunda função, já que por conta do jogo da seleção às 11h, a expectativa é que o desfile vire uma maratona. Corrido ou não, o 2 de Julho não perde sua importância. Nesta edição da in_box, trazemos alguns tópicos que não vão deixar de ser pauta por lá: a participação feminina na política, Rui que segue tendo que se justificar sobre a formação da sua chapa majoritária na tentativa de manter a base unida e a  temporada de impopularidade de Neto (que pode encarar protesto dos servidores municipais de saúde no trajeto). Boa leitura! 


Mulheres no comando, mulheres no poder?__
A Independência do Brasil na Bahia foi marcada pelo protagonismo das mulheres. É simbólico o reconhecimento da ação estratégica do trio de heroínas Joana Angélica, Maria Quitéria e Maria Felipa (esta, além de mulher, negra) na batalha pela independência, ocorrida há exatos 195 anos, em uma sociedade escravocrata. Hoje, às vésperas do Dois de Julho e com a proximidade das eleições, ainda vemos a Bahia (e o Brasil) patinar em relação à representatividade feminina na política. 

Com o anúncio do governador Rui Costa, na última segunda-feira (25), de que Lídice está fora da chapa majoritária, o cenário político baiano retrocede. A oposição tenta surfar na onda. Acredita que “talvez seja um bom caminho” e promete uma candidata mulher ao posto de vice de Zé Ronaldo (DEM) ou mesmo ao senado - ao lado de Jutahy Júnior (PSDB). 

Entretanto, mais que oportunismo, a presença de mulheres nas composições das siglas é hoje uma exigência legal. Porém, nem mesmo a Lei de Cotas, que estabelece para os partidos proporção mínima e máxima de candidatura por gênero a cada pleito, vem conseguindo o impacto necessário rumo a um cenário mais equânime. Segundo levantamento da Gênero e Número, a Bahia é um dos três estados com maior número de mulheres “laranjas” lançadas apenas para preencher a cota de candidatas. 

Em maio o TSE determinou que além dos 30% dos recursos do fundo partidário, a mesma porcentagem de recursos do fundo eleitoral - formado por dinheiro público e orçado em R$ 1,7 bilhão - seja aplicada em candidaturas femininas. Todavia, por falta de critérios legais, há o risco de todo o dinheiro da quota feminina ser empregado em favor de uma única ou de umas poucas candidatas. Sem falar no aporte financeiro destinado a campanhas de mulheres que ocuparão postos secundários, somente alavancando candidaturas masculinas. Com Lídice fora da disputa e nenhum nome feminino forte nas chapas majoritárias, a representatividade feminina na política baiana é assunto para se ficar de olho!
Chapa quente_
O que está em jogo na definição das chapas majoritárias 

Gato escaldado sem medo de água fria
Assim como a agremiação nacional, o PT baiano não aprendeu a lição. Em uma aliança  pragmática, Rui Costa escolheu o presidente da Alba,  Ângelo Coronel (PSD), para ser o segundo candidato ao Senado da sua chapa, jogando para escanteio a ainda senadora Lídice da Mata. Junto com a parlamentar foi-se também a oportunidade de manter mais próximos aliados do campo da esquerda. Mais uma vez a legenda abre mão da possibilidade de fazer mudanças estruturais -  aproveitando a blindagem que só as gestões bem avaliadas têm - em troca de uma temporária governabilidade. Preferir Coronel é entregar o protagonismo do jogo político dos bastidores - o que realmente importa - ao PSD comandado por Otto Alencar, um remanescente do Carlismo, um dia ferozmente combatido pelo próprio PT. De olho no apoio dos mais de 80 prefeitos da legenda de Otto, o partido do governador esquece que grande parte da crise e do descrédito que a agremiação vive atualmente estão muito ligados à escolha de aliados políticos que garantem governabilidade, mas minam, aos poucos, a credibilidade por defenderem pautas muito diferentes - quando não completamente opostas - das bandeiras historicamente levantadas pelo PT.

No caso de Rui Costa, esse afastamento de atores políticos que sempre garantiram apoio à sua legenda por convergência ideológica não é só representado pelo passa-fora dado em Lídice, mas também na pouca atenção dispensada ao PCdoB que, sem nenhuma chance na majoritária, disputa a tapas a suplência de uma das vagas ao Senado, embora pareça que nessa o PSB vá levar  a melhor. No auge da crise com o partido comunista, Rui se limitou a dizer que “tem gente que não gosta de forró”. É claro que o governador sabe que muita gente percebe esse conflito e vê a opção feita de forma negativa. Talvez seja essa a explicação para a demora em anunciar a chapa oficialmente e para o comunicado protocolar e sem sal da escolha de Coronel, feito via assessoria de imprensa. No fim, Rui rodou muito para continuar no mesmo lugar.
 
Lídice de fora: o que importa agora
Decisão de Rui se arrastou por meses, era esperada, inclusive para o PSB, mas tem reflexos ainda indefinidos. Entenda: 
 1  O PSB classificou como um “erro histórico” a decisão de Rui Costa, mas mesmo assim, endossou o apoio à reeleição do atual governador. O PSB rejeitou também o convite - que mais soou como uma alfinetada - da oposição para Lídice compor a chapa com o PSDB e MDB (Bahia Notícias).

 2  Sobre não ter uma mulher na composição governista, Otto minimizou. Lembrou que, no pleito de 2014, também não tinha e ninguém questionou. Coronel recuperou um histórico de alianças - ouça aqui - entre o que tem sido chamado da coligação vermelha e azul, representando o PT e partidos de centro (Metro1).

 3  Lídice já marcou posição e afirmou não querer assumir a suplência. Os bastidores apontam para a candidatura da socialista a deputada federal, deixando de lado a possibilidade de ela se lançar ao Senado de forma independente. Passado o 2 de Julho, o partido deve oficializar sua posição (Metro1).

 4  A decisão deixou estremecida a relação do PT e do PSB em âmbito nacional, já que o partido de Rui negocia com os socialistas uma aliança para a disputa presidencial. No entanto, ao dizerem abertamente no início do mês que a formação da chapa iria levar em conta aspectos locais, Rui e Wagner deram indícios de que não se importam muito com uma possível retaliação do PSB nacional (Estadão).

 5  Lídice não é a única preocupação de Rui. Depois da chapa majoritária definida, há uma pressão das bases para definir como serão as coligações que disputarão a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados (Correio*).
 

Estrategista lá, embolado cá_
A abertura que ACM Neto está tendo enquanto presidente do DEM, em âmbito nacional, contrasta com a tribulação que tem marcado tanto a articulação da chapa da oposição – a qual ele desistiu de encabeçar – quanto a sua própria atuação como prefeito da capital baiana. Nas últimas semanas, Neto desempenhou com fluidez o papel de articulador de alianças para o DEM, tendo conversas com Ciro Gomes (PDT), a quem acenou com simpatia, e Geraldo Alckmin (PSDB), figuras centrais na disputa pelo Palácio do Planalto. Já em Salvador, o demista parece ter se despreocupado em manter a boa popularidade à frente da prefeitura, amargando dissabores. Na última semana, Neto sancionou, sob vaias e protestos, o projeto de lei de autoria do Executivo com a maior rejeição da atual legislatura da Câmara. O texto modifica o plano de carreira dos servidores municipais e conta com uma manobra que dificulta a progressão de carreira dos cerca de oito mil concursados da área da saúde. Tudo isso em uma sequência que começou com protestos e ações judiciais contra o BRT, greve de rodoviários e, mais recentemente, a abertura de inquérito pelo Ministério Público da Bahia para apurar a falta de distribuição de uniformes  para os estudantes das escolas municipais. 


De boa por cá, indefinido lá_
Agora candidato oficial ao senado na chapa de Rui, Jaques Wagner está tendo de lidar com as "moscas de padaria" rondando o posto (que ainda nem conquistou). A suplência de Wagner está bem cotada (tanto pelo PSB de Lídice, quanto pelo PCdoB) porque, se eleito, ele pode se licenciar e assumir uma secretaria no Governo da Bahia. Além disso,  a depender de quem seja eleito presidente da república, ele pode ser alçado a ministro. O nome de Wagner voltou à tona no âmbito nacional depois que Lula o escolheu para ler uma carta em que se lançava pré-candidato do PT. Apesar das especulações, projeções feitas pelos defensores do ex-governador baiano como plano B a Lula apontaram que o galego, só com os votos da Bahia, poderia conquistar a preferência de 5% do eleitorado. Wagner, assim como Haddad (outro nome cotado a substituir Lula), é do time que defende que o PT não tem condições de abrir mão do nome do seu maior líder.
Despedida_

   Waldir Pires   
“A política não pode ser uma carreira. A política é uma destinação. É a única forma que o ser humano terá de pacificamente organizar uma sociedade decente. Não há outra. Fora da política é a brutalidade”

Em entrevista ao jornal A Tarde em 2012
 

A grama do vizinho_
De olho em outros estados 
Críticas do Além. Uma falsa carta psicografada está causando confusão e constrangimento na pré-campanha eleitoral em Sergipe. Até o nome do médium baiano Divaldo Franco foi colocado no meio da confusão para fazer críticas ao candidato do MDB. A reportagem é de João Pedro Pitombo (Folha).
In_dica
  • ACM Neto X Orlando Silva: formato interessante de entrevista que, apesar de algumas respostas plastificadas, traz posições curiosas (Época);
     
  • A TVE vai exibir o documentário ‘As histórias de Waldir Pires’, dirigido por Clauder Diniz e produzido por João Gollo. Será nesta segunda-feira (2), às 21h45;
     
  • Essa é uma edição antiga da Gênero e Número, mas para quem se interessou pelo tema da representatividade feminina na política, vale conferir (GN);
     
  • Como funciona o maior grupo de propagação de ódio na internet brasileira, que lucra com misoginia, racismo e homofobia (Época)
     
  • O que era o PSDB quando foi fundado. E o que é hoje 30 anos depois (Nexo);
     
  • Os marqueteiros nas campanhas eleitorais: no passado e agora (Nexo);
     
  • Sobre Datena, o mito da pureza dos outsiders e a truculência no Congresso (Rádio Metrópole
A in_box volta no dia 15 de julho. O que tem achado do newsletter? Escreve pra gente através do coletivointerface@gmail.com. Caso tenha perdido alguma edição, você pode sempre acompanhar através do nosso site interface.jor.br/newsletter/. Bom domingo!  
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